sábado, 13 de maio de 2023

Ciclos



Registro: Fabíola Junqueira

Este ano completam 5 anos que um ciclo fechou na minha vida, este mês minha filha de quatro patas partiu para ser feliz no astral dos pets, cheio de bolinhas em um campo lindo em que ela possa correr e ser feliz. A gente intenciona e acredita no que precisa para viver e se acolher.

Há 4 anos eu ganhei de presente uma orquídea linda de M.I, pessoa que tive a felicidade de atender com Arteterapia por mais de um ano, ela tinha uma ligação forte com a Argentina. Completei dois meses em Buenos Aires, era para ser Salta, mas a gente acha que manda e por fim escolhi agora ficar aqui.

Mês passado, completou um ano que conheci a última pessoa que me apaixonei, nos tornamos amigos e ainda trocamos memes, reflexões políticas e crises sobre o sentir. Tenho uma anedota dessa conexão: ele vive em uma cidade que não é a mais conhecida de MG, eu sabia dela das histórias contadas pela minha avó, que ano passado completou 90 anos. Uma mulher de pura força, luta e amor, só assim para parir 10 filhos, criar os que sobreviveram a jornada da vida  praticamente sozinha, superar dois casamentos difíceis e sair de um Estado para outro, pois era grande demais para uma província. Dona Luisa merece um livro inteiro, não só uma anedota. Das narrativas que eu escutei ao longo da vida para o interior da Bahia, uma cidade que era hipotética se tornou real depois de um forró, algumas cervejas e muita conversa. A vida é

Ainda desta mesma época, do mesmo Vale do Capão, da mesma Chapada Diamantina, deste mesmo ciclo de um ano, recentemente me reconecto com duas amigas queridas que estão exatamente no mesmo lugar que me transformou tanto, acaso (?) Antes de seguir viagem, no meio da trilha, olhando para o vale, eu prometi voltar para enfim fazer o roteiro de 5 dias no Vale do Pati. O grupo “viagem ao Pati”, só cresce, acho que será uma excursão (rs).

Nesse ciclo intenso do último ano, passei por tantos lugares, mudei de emprego algumas vezes. Me tornei leitora crítica e autora de livros didáticos, produtora e tenho pensado em tirar da gaveta da mente e coração os projetos de artista. Decidi ficar na Argentina, colocar a minha energia para estudar e construir um outro caminho. Mas a gente acha que manda em algo e a vida vem com tudo...veremos os próximos capítulos com a alegria de quem descobre algo pela primeira vez, por vezes com estranhamento, outra com encantamento.

Falando de planejar, eu tinha me planejado nesta manhã ir há uma jornada de arte e memória, mas usei a desculpa do trabalho para ficar, na verdade eu preciso de tempo e espaço. A querida Leila me invitou a desfrutar de sua casa enquanto salia a recorrer el pais con Tango.

Voltando as fotos, gatilho para esta escrita, minha orquídea criou raízes!

Minhas raízes foram parar no amuleto que trouxe da Bolívia para abençoar os caminhos amorosos da Fáfá. Minhas raízes em São Paulo se alargando para além, pois são cuidadas com afeto, mesmo de longe. Mas o que é a distância? É lindo observar que quando me permito ser cuidada, cresço.

Dar-se conta na escrita que essa vida aquarelada se expande, e dilata com a água da afetividade e que tem seu próprio tempo, como a natureza, que as vezes parece morrer quando passa por um inverno vigoroso, mas depois renasce e floresce na beleza da primavera. A sabedoria dos nossos ancestrais que não carregavam diplomas nas paredes, mas até hoje ensinam sobre o não dito como os bons mestres e mestras que são.

Que as minhas, as nossas raízes expandam para nos levar para onde queremos e necessitamos ir, dentro dessa sabedoria outra, ancestral. Que Pachamama nos nutra e que os pretos velhos nos acolham.

O amor é alimento, nutre e expande como as raízes que sempre arrumam um modo de ir de encontro ao que precisam, e se necessário rompem o asfalto, olhar para o céu e para o chão, apesar do humano, do capital, a poesia da natureza com seu, ciclos, vive.

O amor multiplica, e o que eu quero nessa vida é abundância!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Prazer


Uma viagem de sensações, o cheiro que aveludadamente preenche as narinas e transbordam de excitação as palatinas, penetram no corpo arrebatando o racional para ser somente inteiro instinto.
o corpo esquenta e novamente vivo recebe uma explosão de prazer, com intensa vontade de permanecer nesse estado, repito o gesto incansavelmente. 
Mesmo satisfeita quero mais, quero o estupor, ir além do limite, a dor manifesta na satisfação total do ser. 
Somente o latejar me faz parar.
Ao retomar o estado de ser pensante novamente, o prazer dar lugar ao julgamento, a consciência, lamentar o ocorrido e penalizar com a dor além do gozo, a falta de ar e o intenso incômodo.
Penso que deveria ter interrompido, já tinha percorrido esse caminho outrora e sei das consequências que lamentavelmente irei arcar.
Sinceramente não acredito necessitar de um grupo de apoio, não é auto flagelação, é apenas um deslize, sei que sempre repito o mesmo discurso, prometo que tentarei mudar, mas não é fácil. 
Eu assumo, é mais forte que eu o meu amor pela Guacamole, chile e o delicioso creme azedo.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Cotidiano

Divisor - Lygia Pape 1968-2010
O que é realmente estar presente?

A cada encontro onde de fato as pessoas estão por completo juntas, esquecendo de seu complemento tecnológico, seu terceiro braço, segundo cérebro, companheiro afetivo, e por aí vai, abrem espaço para uma outra relação. É disso que vamos falar.
Um momento deveras arcaico, onde comungam de reações reais, sentimentos físicos com toda sua carga emotiva - sem emoticons ou afins- para representar o que se sentem, nesse ritual de proximidade tão avesso ao cotidiano virtual que são condicionadas a viver, o estar aqui é o que importa. Com carne, osso, medos, frustrações e muita energia a ser trocada, vivida, cheirada e degustada.

Optar pelo avatar do outro ou invés de encarar de frente quem se é. Quantos "eus" criamos para agradar o outro tentando nos agradar?

Não pretendo levantar uma reflexão sobre o que é ou não real não, mas sim um olhar para si dentro de sua trajetória cotidiana, quantas pessoas você esbarra todos os dias sem ao menos olhar seu rosto, sem um "bom dia", pois seu corpo esta em um lugar e o pensamento em outro.

Gosto muito de encontros, saio sempre transbordando de experiências, de vida e sorrisos bobos, me sinto viva quando abro mão de estar em qualquer outro lugar que não ali, com as pessoas que escolhi.

Desejo um transbordar de experiências boas a todos que se permitirem estar em si.



terça-feira, 8 de maio de 2012

Por muito tempo abandonei esta morada, onde me encontrava na reclusão de palavra muitas vezes taciturnas, onde derramava o meu desalento a procura de um caminho somente meu.
Ainda revejo a possibilidade de tornar hábito a escrita, partilhar em um mundo irreal as desventuras de uma mente atordoada com sigo, inserita em um habitart deslocado, insólido, sujo.
A literatura tente a acalantar corações demasiados sensíveis ao cotidiano atroz o qual somos consumidos desde sempre, a história tente a imortalizar o sofrimento, o lúdico, os espasmos de lucides desloucada afim de resquícios de humanidade.
Costumo me perguntar o que é ser humano, o que é ser cidadão, o que é ser solidário quando se vive para sobreviver.
Gostaria de compartilhar de alguma delicadeza, mas sou consumida por uma profusão de injúrias, de atrocidades...
O pequeno da vida, a felicidade feroz de um cachorro ao ver seu dono depois de um dia de solidão, risadas descontroladas e a infância na maturidade... Por hora é o que me interessa.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ode ao desconhecido nós


Foto: Cartier bresson

Quero fazer uma celebração!

Hoje venho agradecer em festa pelo teu sorriso, pelo alvo da tua pele, pelas tuas covinhas singelas...
O mundo precisa conhecer teu humor despojado e simples, de má índole que articula pelos bares e casas... teu enorme carisma e sua maneira nada delicada matar o português e ressuscitar Neruda.

Dos cheiros que exalas, prefiro o que resta em mim, para egoista visitar periodicamente, lembrando que me pertence.

Estas viva. És musa e real.
Não fui ludibriada por nenhum aldacioso deus grego - Sim eles adoram criar a perfeição, determinar ideais de beleza e manupular como titeiros nosso reles estado mortal - sã, absorta em meus pensamentos a cerca de ti, embebedada de álcool e poesia recrio tua figura, que brinca com os meus sentidos elevando a crença na não realidade formal.

Meu padrão é o teu ser.

Se teimo em fugir, não é por temer o não mais ausente nós, mas para certificar que minha lucidez não foi posta em xeque, para criar o mais que perfeito oposto complemento, transfigurado na tua figura.

Se crês na tragédia, na bíblia Aristotélica, eu sou ousada e quebro todas as paredes, agradeço a ajuda divina, mas recuso o deus ex machina, não temos salvação.
Somos contemporãneos, fugimos como animais selvagens quando o assunto em voga é "sentir", temos medo de ser apenas humanos. Bomba ambulante de sentimentos que explodem, reagem constantemente, preferimos a comodidade de ser nulo, máquina-humano, frio e calculista. Características da virtual vida comprada e entregue de bandeja, para degustarmos da aparência pela aparância.
Assumir a fragilidade mortal de apenas sentir afeto, permitir encarar a verdade silenciosa restrita aos olhos nos olhos é assustadoramente exitante!

Não transformarei nosso caminho cheio de crises em uma narrativa tipicamente Bergminiana, tão pouco sangraremos dramaticamente à moda Tarantino, quarde suas armas e deixe o ciúme passar.
Dê me sua mão, veremos a saga Almodóvar, somente ele para majestosamente sucintar nossa dramaticidade. Caso canse, podemos visitar nosso amado Woody, assim em meio a boas gargalhadas farás previsões para o futuro rabugento e arrogante para o qual estou fadada.

Espero que tenhamos sabedoria para lidar com as besteiras e seriedades da vida, assumir que o cotidiano pode ser enfadonho e cansativo. Quando chegar a esse ponto, lembrarei das pílulas vermelhas...

Apegada a minha ansiosa vontade de mergulhar na fantasia prometida, ciente de que tecer esse caminho não é fácil, assumo o desafio, teremos muitas esfinges, minotauros e uma feliz metavida.

Que humano normal não desejaria uma vida pacata, filhos, televisão ao final do dia, sexo a cada 15 dias, ver a família florecer e envelhecer graciosamente como dois plenos desconhecidos...

Como amo ser diferente!

Ter consciência de viver em uma sociedade medíocre, regida pelo capital, sustentada e governada por uma elite que se divide entre pseudointelectuais, bárbaros hipócritas e Ladys acéfalas é repugnante. Mas a luta histórica permite a graça de figuras políticas, culturais, artísticas e literárias... estas submersas no mesmo lodo usaram suas habilidades para impedir um suicídio em massa de uma pequena classe ligada ao bom senso, deixando claro que não existe dor que não possa ser curada com um bom trago, um bom livro, bons argumentos, um bom sexo, amor, arrogância e liberdade de ser quem se é, com toda a infindável complexidade que o simples carrega.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Você tem fome de quê?

Imagem: tarsila do Amaral, Operários - 1933


Novas fases surgem, ultrapassando e dilascerando antigas visões e pensamentos.
Assumo a responsabilidade de ser condutora de um (ou vários) olhar(es).
É complexa essa relação proletário- educador-profesor. Sou mais uma trabalhadora do saber, dotada da responsabilidade de ensinar e aprender.
Quantas vidas eu influencio?
Qual o cuidado que tenho e que deveria ter?
Uma profusão de dúvidas e posturas que aprendo a lidar, pisando em ovos com malabares.
Meu ser poético frágil sai do campo do aluno e adentra o universo não menos delicado do professor.
Constantemente sindo como "mais uma" e frustrada enfrento o dia-a dia com uma pérola aluno que faz com que tudo tenha sentido.
Muito medo, mas com recompensas, afagos morais.
Desafio etapa ultrapassada, meu primeiro mês.

sábado, 12 de junho de 2010

xiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuu!!!!


Foto: Henri Cartier Bresson

Ei, cala-te!
Não percebe que ela esta concentrada, envolvida consigo, reclusa ao seu mundo particular. Tão bela caminha como o lenço desliza ao vento frio dessa metrópole.
É pequena, está frágil, é fácil perceber isso.
Ei, já pedi silêncio!
Somos expectadores, contemplamos seu espetáculo particular, o cuidado com cada pequeno gesto que rabisca pela vida a fora.
Vem, me ajuda, vou tentar chegar mais perto, quem sabe assim escuto seus devaneios ocultos e abro um buraco para transformar a cena, monólogos podem ser entediantes, ela merece que ousemos uma entrada triunfal.
Não querido, não esta ficando louco, eu também escuto... esse é o som que as lágrimas deveriam produzir se fosse permitido que escorressem para fora, mas ela é egoista demais para isso, prefere que jorrem rios internos de lágrimas e sangue.
Entendo o quão visceral é contemplar esse processo, mas metamorfoses são necessárias e doloridas, essa tem uma beleza peculiar, afinal percebemos a importância do processo, de como começa a ter propriocepção. Essa pequena conquistará o maior prêmio quanto o ato de sair da caverna saia do campo onírico.
Como sei tanto?
Confesso que são apenas apontamentos de uma menina que se esconde no superego dela, que treme e grita a cada nova cicatriz causada pelas escolhas e caminhos que enfrenta.

Bom, agora preciso cuidar da minha pequena, volte quando quiser, mas venha quietinho, deixe que o silêncio o envolva na beleza do que ainda não se inventou significado linguístico.

terça-feira, 13 de abril de 2010

o que é felicidade? momentos...



O que é felicidade?
Os fragmentos de momentos que causam uma euforia tão grande que pode chegar a definição de felicidade são dispersos, aleatórios e normalmente com coisas pequenas.
sorrisos, amigos, amores, filmes, peças de teatro, livros, conversas idiotas com pessoas preciosas, cada momento que vale a pena relembrar compõe a colcha de retalhos do que é felicidade para mim.


Tenho tido espasmos de felicidade e trizteza, ambos intensos.
O prazer de ouvir o som do vento uivas fora de casa e sentir-se acolhida por olhos sinceros.
Ser transportada para outro tempo e espaço, onde não existe nada a não ser o momento inerte e fragmentado. Cada nota da música ao fundo é sentida como o toque suave da brisa, os violinos, a sanfona, a flauta doce depois a transversal, o violão baixinho acompanha e trilha o caminho por onde seguem em fantástica harmonia a trilha sonora da cena.
É como um filme europeu, com um cuidado especial com a arte do olhar, sentir, viver.
As cores são pastéis, intensas, harmônicas e preenchem o espaço, embebedando de vida as figuras enlaçadas.
O furor do riso descontrolado, histérico, proibido que abafa a libertinagem interrompida pela infantil visão do momento.
Num instante tudo desaba, desmorona em risos loucos.
E no acalanto da embriaguês dormem unidos pelas liberdade, separados pela so
lidão do medo.

terça-feira, 9 de março de 2010

Sabe o que quero?

Foto: Henri Cartier Bresson

Quero fechar os olhos e não te ver,
não encontrar impregnado no meu corpo os acordes do teu perfume
o teu toque, calor...
Desenhar passo a passo cada movimento teu
para reviver cada detalhe, registrar o invisível que ainda é meu
o que foi pactuado inconsciente na primeira troca de olhar
quero esquecer das marcas que a vida nos causou
da tentativa de proteger sua fragilidade, escondendo a minha
quero de volta minha precária poesia, meus dias sereletes ao teu lado
ficou tanto não dito
tanto no espaço
no tempo
agora muito mais no esquecimento
o sono é leve ou muito pesado, fica esse vazio ao meu lado
desaprendi a sentir
meu sentidos enxarcados
entopem cada poro com as lágrimas
que meu orgulho impede que vase

Tudo desconexo, solto, perdido
Quero pelo menos por um momento esquecer
não lembrar
abandonar
abrir mão
sumir

Sabe o que quero?
Quero olhar no espelho e não ver um rosto degradado pela tua ausência.

domingo, 7 de março de 2010

Saudade


Foto: Magritte

De quem é esta saudade
que meus silêncios invade,
que de tão longe me vem?

De quem é esta saudade,
de quem?

Aquelas mãos só carícias,
Aqueles olhos de apelo,
aqueles lábios-desejo...

E estes dedos engelhados,
e este olhar de vã procura,
e esta boca sem um beijo...

De quem é esta saudade
que sinto quando me vejo?

Gilka Machado

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ela

Embriagada de poesia ela se prende novamente.
O emaranhado de retratos que passam por seus olhos a deixam zonza, mas resolve levantar.
Como é prazeroso ser só, completa consigo.
Pensamento sensato, considerando o local e parceiro que a ultima noite lhe trouxera.
Tem dias que sente como se houvessem arrancado tudo, e era só, um corpo inerte na vida.
Mas acorda e vê que é noite, a solidão fria a abraça e aconchega mais um novo movimento de vida.
Acende seu cigarro e sai.
Sua aparência exótica chama atenção, diziam que sua presença é como um beijo roubado.
No seu caminho perambulavam as figuras que descartara, seu péssimo hábito de viver do passado sustentava sua libibinosa vida evasiva.
Mais uma noite, mais um poema queimado pelo rancor das horas.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O que falta?



Falto eu ou você, o que é falta?

Ausência é falta ou um estar em si?

Sentir-se livre é bom, mas ruim.

Não sei por onde vaga minha racionalidade, é uma profusão de sentimentos e decisões, perplexa sigo sem querer.

São olhares risos e abraços, é tanta sedução e paixão.

Onde fica o amor quando a carne queima?

Aprender a ser, mesmo sem estar.

Onde estou, onde esse conflito me levará?

Momento catártico da vida, não quero um deus ex machina para me salvar, não sou a heroína da tragédia chamada vida.

A fruta tem seu ciclo para tornar-se madura, perfeita para o consumo.

O humano passa a vida amadurecendo e se consumindo, explorando o outro para arrancar de suas vísceras um pouco de dignidade.

Aprendi a dar valor ao outro e esqueci de valorizar o dentro, a conexão interna que liga a necessidade e o querer.

Esse movimento que rompe minhas certezas lançando-as no vácuo de ilusões e perspectivas profusas de presente, passado e futuro é dilacerante.

Não sei sinceramente sobre a falta, ausência ou medo, apenas aceito que existem fisicamente no meu corpo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

(Auto) Reflexão

Inveja do que não vivi.
Aflita com meus medos, tudo que me prende
Não quero o sufocar dos poemas passados,
são monótonos, em escala de cinza

A vida parece um retrocesso do que já anciei
Meus valores estão confusos, sinto -me embriagada de mim.
A liberdade de ser eu, despojada de tudo e todos; a solidão.
Sou individualista, nego a minha presença
Em sonhos corro nua no abismo dos quereres
Uma orgia de sentidos,
o momento catártico se aproxima?

Não quero a indentificação de outrem, sequer me identifico
Sou indigente, não inocente
Delimito caminhos, cativo pessoas, mas tenho medo.

No fundo resta apenas uma garotinha com seus olhos marejados
gritando agitada por silêncio absoluto.


Qual o limite da incomunicabilidade?

Almejei tanto o amor de outrem,
mas sequer me amo

Valorizar os conceitos pré estabelecidos de sentimentos...

Não sei o que é o melhor,
estou lidando com o presente como se somente o agora, e o agora existisse.


Não sou Farsesco.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Formar-se

Forma (latim forma)

Configuração das coisas;
Figura;
Feito;
Feição;
Alinhamento, formatura;
Modelo;
Modo, maneira;
Formato;
Formalidade.

Criar forma deformando, desconstruir para construir.
Ciclo,
renovação de atitudes, conceitos, ideais, forma.
Vivemos construindo e desconstruindo,
agregando repertório,
vivência.
(será?)
Buscamos sentido para a nossa existência,
existir,
buscamos uma forma.
Uma forma de desformar,
formando uma forma,
esta desconstruida,
para gerar outra,
e outra,
e outra.
Qual é a forma que se forma no formar-se deformando?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Maldito seja!

Tenho medo do incerto, do simples e sutil;
Os olhos ternos com que me olhas e seu sorriso infantil.
Sinto que comi um pedaço do cogumelo da Alice
talvez isso explicasse minha frágil pequenes.
A euforia causada por momentos singelos me deixam tonta;
Minha escrita esta um lixo,
mesmo assim fica melhor que a sua, que não tem ritmo.
Será que penso?
Não penso.
...

sábado, 4 de abril de 2009

Desalento e despedida




Dê-me sua mão, vamos caminhar...
Não sei o rumo, apenas sentir os pés doer enquanto contemplo teu riso.
Não tem problema, poderá descançar depois, agora é a nossa hora.
Tenho um turbilhão de emoções que preciso compartilhar...

Não quero que se prenda ao meu jeito rude de ser, mas
Você tem tantas defesar que me sinto numa batalha sem fim...
Não tenho bola de cristal,
seria deveras útil para desvendas tantos segredos que insiste em guardar.

Estou sendo direta, é uma forma de burlar minha timidez.
O sol abre novos caminhos, por mais que eu prefira a penumbra,
não posso ceder.

Tanta poesia omitida, palavras não ditas, o silêncio comeu minha rima.
Pareço mais cética que o normal, talvez eu realmente esteja.
Não posso negar que a injeção de poesia bambeou minhas estruturas.
Infelizmente o ato foi atrasado,
definimos (defini) para onde iria tender nosso caminho.

Não seria sincera conosco se permanecesse como estava.
Acho que não sou uma pessoa sociável, e não consigo viver de meias verdades, meios sentimentos.


Desculpa por esse vômito, era para ser mais sutil,
mas não sou tão delicada quanto gostaria.

Se quiser pode descançar agora,
eu preciso ir, essa caminhada foi deveras intensa.

Não diga nada,
me acostumei com o silêncio e acho que devo levá-lo como resquícios desse momento.

Eu sei que é injustiça, egoismo mas prefiro assim.
Se precisar, sabe como me encontrar, não confunda o caminho me preocurando em outros sorrisos, não sou tão pretenciosa para ocupar tantos espaços.
...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Perder-se



Não é ingenuidade, é entrega.
Ela aprendeu a entregar-se a tudo que faz intensamente.
O olhar, o abraço, o beijo, nada é superficial, é como se mergulhasse em cada gesto, ação.
Ela sempre teve problemas com o emocional...
Tem doçura, delicadeza, mas também tem uma criança sapeca que se esconde debaixo de uma mulher fria e calculista.
O seu mundo é repleto de fantasias, das mais bobas as mais ricas.
Outro dia me contou sobre uma moça que viu no metrô, ela estava grávida e carregava um buquê de rosas vermelhas lindíssimo. Para ela rosas são sua forma mais real, que diante da beleza tem espenhos e folhas, e tenta defender-se, mas é frágil. Como as rosas da grávida levaram ela aos belos anos em que recebia flores, eu fiquei comovida com o adocicado da voz e o brilho que seus olhos tinham quando falava, senti certa inveja, mas contive qualquer atitude que quebrasse seu encanto.
O pior para quem brinca demais é quando esta falando sério brincando, e num deslize perde tudo.
Meu pior defeito talvez seja colocar muita expectativa em tudo, em sonhar e iludir-me com surrealidade do realismo.
Complico demais, mas quando sou simples é complexo.
Ela queria quebrar tudo, abrir sua porta e dizer poucas e boas, que isso não se faz!
Queria parar de sonhar, de sofrer e de se apaixonar.
Ela deveria ser outra, mais forte, sábia, e dura. Mas é fraca, fraquíssima!
A forma física é um suporte farcesco para uma estrutura frágil.
Ela vai caminhar novamente, levantar os olhos e fingir que nada aconteceu, seu orgulho é mais forte.
Vai se perder em outros braços, provar outros abraços, beijar tantos lábios.
Quem sabe assim encontre a liberdade novamente, antes de se perder nos olhos de outro menino.

segunda-feira, 30 de março de 2009

O delinear de um novo outono se aproxima.



Prefiro acreditar que as fantasias que sonho são mais reais que o cigarro que não acendi.

O clerical manto da inocência está manchado.
Eu não sou mais a mesma que outrora rasgou tua roupa e sussurrou delírios ao seu ouvido.
Minha dignidade é austera, e respeito seu silêncio com minha distância.
É insensato admirar as metáforas que escorrem dos meus pulsos?
São resultantes: as batalhas que travei, o amor, os desejos...
Atonita abdico do teu calor...

Mas, se em um dado momento
for composta nova melodia para a minha canção desritmada
Venha, faça barulho, acorde a vizinhança!
Grite, espernaie e não tenha medo do incerto.
As certezas nessa vida são fugazes

Não peça licença, arrombe a porta!





domingo, 29 de março de 2009

Individualista?

Tenho várias teorias a respeito do meu futuro.
A mais coerente tende ao seguinte (quesito emocional):

Uma pessoa seca, amarga, sozinha. Ligada a um mundo imaginário, repleto de teses, discussos, e argumentações sobre os temas mais variados, devaneios sobre a vida e a morte, e como elas coexistem.
Num apartamento colorido, meus companheiros serão livros empoeirados, desenhos rasurados, e tintas...o vazio dos meus dias será camuflado com jazz e drogas como Neruda, Cecília, quem sabe um pouco do bom e velho Kubrick, Glauber Rocha?
As crianças olharão para mim com curiosidade, debaixo de um olhar soturno sempre tem ternura, mas são raros os momentos que se manifesta.
Trocarei o chocolate quente por cafeína pura (já comecei esse processo), e compartilharei meu humor sádico com os amigos que restarem (afinal a vida continua, se você não se liga a alguém em laços matrimoniais, acaba sendo engolido pela vida, será?).
Se algum maledeto resolver entrar no meu mundo, simplesmente farei com que veja que pessoa agradável eu não sou, e o quanto eu não acrecentaria, e mesmo parecendo exótico um relacionamento com uma geladeira eu não estaria disposta a compartilhar mais que um café...

Minha mãe sempre me disse que com esse meu jeito individualista eu iria morrer sozinha, que eu vivo em sociedade, e dependo das pessoas. Marrenta que sou prefiro ignorar esse alerta e voltar para o acalando do meu edredom, onde meu livro e meu café esperam.

sábado, 28 de março de 2009

O queridinho da mamãe

Acho sinceramente tóxica a mistura de traumas psicológicos com carência afetiva.
É inevitável que fiquemos largados a mercê de um destino incerto, mas qual a responsabilidade dos nossos antepassados para o que nos tornamos hoje?
Ser uma pessoa digna, responsável, integra, inteligente, casta, polida, e socialmente agradável, sim é o sonho de qualquer familiar.
Poder exibir em reuniões familiares o orgulho que trouxe o filho pródigo, trabalhando numa boa empresa, com uma namorada decente, carro e uma vida estável.
Uma máscara tentadoura, não acha?
No fundo a pessoa faz terapia, tem ejaculação precoce e é um total submisso aos mandos e desmandos do chefe. Só sustenta o cargo de "respeito", por ser capacho, e a namorada gostosa com o dinheiro que cosegue como "puxa saco".
Sua vida é um inferno, embriaga-se sempre que possível (nunca perto da família, afinal as aparências em primeiro lugar!) toma anabolizantes e hormônios tentando rechear o esqueleto com mais substância, afinal homem é forte, e másculo!
No seu apartamento, numa gaveta secreta eatão enlaçados os seus prazeres, o segredo de uma vida obscura e sempre perseguida. Seu gosto exótico carece de mais testosterona que o normal.