domingo, 2 de novembro de 2008

Ausência

Um belo dia acordei e resolvi viver.
Por onde começar? Fazer amigos, sentir a brisa da manhã, um pouco de adrenalina quem sabe...
Um dia pensei na felicidade, mas estava tão distante que logo o pensamento passou e esqueci de tudo.
Sonhei com o amor, ele tinha passado pela minha vida, deixado muitas marcas e cicatrizes e um ideal insólido de perfeição.Acordei assustada, e todos od dias me pergunto se realmente foi um sonho.

domingo, 5 de outubro de 2008

sentido?


o silêncio tenso dos dias cinzas afrouxam a distância entre mim e a solidão.
Apego ao lúdico apreço do amor,
se somos metades complementares de outrem,
prefiro ser o complementar de mim.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

21/07/08


Poesia malabarista.

A melodia mais bela da minha partitura,
no aqui e agora.

Liberte-se das correntes que foram colocadas em ti,
vem ouvir a sinfonia do nosso presente, pois o passado se foi,
e futuro é composto a cada dia.

domingo, 13 de julho de 2008

Indigente

Foto : Vivian Martins


Sou uma alma leprosa
absorvida pelo cinza
ácido dessa cidade.
Uma mutação inorgânica e banal
do homo-sapiens.
Fui excluida da evolução
Eliminada do livro da vida.
Minhas mucosas áridas
prevém o falecimento mútuo
dos meus órgãos.
Ausência de cor e sentido.
A mais congênita metafísica abortou-me.
Sem nome;
Sem sexo;
Endereço e certidão de nascimento.
Um paradoxo niilista.
A idéia de uma Passárgada sustentou durante algum tempo uma inocente ilusão de vida sustentável.

Neste momento todas as lojasd, boutiques, shoppings, mercados e cafés
estão repletos de pessoas vazias.

Poesia de asfalto

Foto: Vivian Martins


" Viver é melhor que sonhar"

Diga isso as crianças

que morrem de fome

frio e lectospirose.



Mataram meus sonhos;

fuzilaram meus ideais;

afogaram minhas paixões;

envenenaram meus desejos;

decapitaram meus amores;

furaram meus olhos;

tiraram todo o sangue das minhas veias;

e me deram um número:

357.029.75-70

que chamam de C.P.F.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

meia noite


Uso tanto o "eu" que resolvi usar o "Ele"
Ele, que não traz o aconchego ao meu edredom,
não diz besteiras baixinho ao pé do ouvido,
não envia rosas, ou realizaquaisquer carícias.
Ele, sim, ele não tem nome ou endereço,
fuigiu da memória, da idealização.
O Ele ficou recoberto de espectativas,
que morreu sem ao menos nascer.
Perdeu cabelos, envelheceu num gostar mais que imaginário
donde não ultrapassou o lúdico.
Deixou um ressoar vazio,
e a incerteza de uma saudade...
como sentir saudade de alguém que ao menos
envolveu-me em seus braços, num abraço terno e sincero?
Mas Ele ainda está em mim, sem estar.
Ele, que chamam Amor.

domingo, 1 de junho de 2008

Pequeno

(texto criado em 01/05/08)

As fichas estão em branco!
Nossas loucuras já se foram, abafadas pelo tempo.
O paciente tempo enterrou nosso amor.
As ruas da cidade aquecem a memória de tantas estripulias, confidências e acalantos.
Como Drummond diz: "ausência não é falta, é um estar em mim."
Agora no silêncio gélido do centro de São Paulo sinto a ausência em mim.
Por onde andará o pequeno que drenava minhas neuroses cotidianas?

terça-feira, 27 de maio de 2008

solidão


... presa a estas linhas indago-me se a solidão é um estado contínuo, um prazer narcisista, ou um vislumbre de si.
queria a liberdade de um suicida, que morre por um ideal convicto (não estou aqui pra julgar certo ou errado)
... qual o ideal dessa vida? dessa pseudodemocracia?

estou farta do comodismo burguês!

as reformas sociais que tentam derrubar o resistente capitalismo mostraram-se utópicas, e seu líderes por mais convíctos em seus ideais de bem comum acabaram vendidos ou mortos.

viver estático é muito cômodo!

... não quero frases bunitinhas, mas reflexões coerentes!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Perfeita


há 21 anos nascia a minha parte complementar...

Irmã, amiga, companheira.

Um doce de menina que exala ternura conquista -nos no mar de seus olhos...

Fui abrutmatente consumida por essa cumplicidade,

dedico muito de mim a ti

e dedicarei pela eternidade!

minha pequena bailarina

não cozinha

canta, dança, encanta, devaneia ama.

Continuemos buscando esse amor nos olhos de outrem,

já que o verdadeiro e puro amor já encontramos- eu e você -sangue, alma.


Perfeita nos defeitos de viver intensamente.
Feliz ano novo!

domingo, 2 de março de 2008

ESTÃO JUNTOS? MAS ELES VIVIAM BRIGANDO


ESTÃO JUNTOS? MAS ELES VIVIAM BRIGANDO
Arte de Delacroix


O amor é a reviravolta dentro da diferença. É fácil descobrir quem pode se apaixonar. Basta que os dois, que mal se conhecem, estejam brigando. Ambos largam a conversa do grande grupo para os braços discordarem com maior liberdade. Entram em transe no meio da mesa. Já discutem com ardor, teimam por detalhes, acalentam seminários paralelos e sem fim. A princípio, identifica-se uma dissid ncia atroz, uma dessemelhança furiosa. Pelo primeiro encontro, a projeç o é que nunca ser o amigos. Demonstram um ódio mútuo pelas opini es emitidas. Falta apenas sair no tapa. Essas figuras antagônicas t m grandes chances de se casarem a partir daquele momento. Atraídas por tudo o que n o entendem um no outro. S o como o mar: violentos na margem, com repuxo e pancadas ininterruptas das ondas, e tranqüilos após ultrapassar a linha da arrebentaç o. Desencadeamos uma relaç o n o pela simpatia superficial, pela vizinhança óbvia das idéias, pelas afinidades visíveis, mas pelo desconhecido. É o desconhecido que nos chama. Algo que ele disse e n o se concorda, mas é intrigante - estimula a desejar entender. Algo que ela disse e é poético, até incompreensível - reivindica um quarto escuro e uma música para pensar melhor. O desconhecido irrita no começo, pede espaço, tempo e intimidade. Provoca o espanto e o cansaço intelectual. Temos que caminhar mais rápido para alcançar. Passar pela nossa moralidade de madrugada na ponta dos pés, sem acordá-la. N o nos apaixonamos por aquilo que sabíamos, mas por aquilo que n o sabemos e descobrimos que precisamos. Descobrimos subitamente que n o podemos mais viver sem. As declaraç es "ele é insuportável"/"ela é insuportável" devem ser traduzidas imediatamente em "ele me envolve"/"ela me envolve". O par se defenderá nos primeiros contatos, numa queda-de-braço silenciosa e inflexível. Há um exagero proposital na armadura, no combate. Nenhum dos dois aceitará uma trégua. Nenhum dos dois aceitará recuar e se desculpar. Nenhum dos dois admitirá a derrota dos argumentos. Mostram que s o mais decididos, mais temperamentais, mais convictos. E n o largam sua posiç o intolerante porque est o se exibindo, est o alertando que s o bons. Quase a comentar: "v como sou forte, n o é isso que está procurando?" Tentam convencer, e, de modo involuntário, seduzem. A oposiç o é enganosa: a provocaç o é uma cilada: a contrariedade é um pretexto para n o encerrar a conversa. N o se ama sem incomodar e ser incomodado antes. Os cachorros de casa v o latir desesperadamente pelo avanço do estranho pelos nossos corredores. Por que ele me perturba tanto? Por que ela me perturba tanto? Ela n o entende sozinha, e ele n o entende sozinho, e voltam a se encontrar para procurar a resposta. O amor cria sua depend ncia pela raiva. Porém, n o é raiva, parece raiva; é mistério.

Fabrício Carpinejar