sábado, 12 de junho de 2010

xiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuu!!!!


Foto: Henri Cartier Bresson

Ei, cala-te!
Não percebe que ela esta concentrada, envolvida consigo, reclusa ao seu mundo particular. Tão bela caminha como o lenço desliza ao vento frio dessa metrópole.
É pequena, está frágil, é fácil perceber isso.
Ei, já pedi silêncio!
Somos expectadores, contemplamos seu espetáculo particular, o cuidado com cada pequeno gesto que rabisca pela vida a fora.
Vem, me ajuda, vou tentar chegar mais perto, quem sabe assim escuto seus devaneios ocultos e abro um buraco para transformar a cena, monólogos podem ser entediantes, ela merece que ousemos uma entrada triunfal.
Não querido, não esta ficando louco, eu também escuto... esse é o som que as lágrimas deveriam produzir se fosse permitido que escorressem para fora, mas ela é egoista demais para isso, prefere que jorrem rios internos de lágrimas e sangue.
Entendo o quão visceral é contemplar esse processo, mas metamorfoses são necessárias e doloridas, essa tem uma beleza peculiar, afinal percebemos a importância do processo, de como começa a ter propriocepção. Essa pequena conquistará o maior prêmio quanto o ato de sair da caverna saia do campo onírico.
Como sei tanto?
Confesso que são apenas apontamentos de uma menina que se esconde no superego dela, que treme e grita a cada nova cicatriz causada pelas escolhas e caminhos que enfrenta.

Bom, agora preciso cuidar da minha pequena, volte quando quiser, mas venha quietinho, deixe que o silêncio o envolva na beleza do que ainda não se inventou significado linguístico.

terça-feira, 13 de abril de 2010

o que é felicidade? momentos...



O que é felicidade?
Os fragmentos de momentos que causam uma euforia tão grande que pode chegar a definição de felicidade são dispersos, aleatórios e normalmente com coisas pequenas.
sorrisos, amigos, amores, filmes, peças de teatro, livros, conversas idiotas com pessoas preciosas, cada momento que vale a pena relembrar compõe a colcha de retalhos do que é felicidade para mim.


Tenho tido espasmos de felicidade e trizteza, ambos intensos.
O prazer de ouvir o som do vento uivas fora de casa e sentir-se acolhida por olhos sinceros.
Ser transportada para outro tempo e espaço, onde não existe nada a não ser o momento inerte e fragmentado. Cada nota da música ao fundo é sentida como o toque suave da brisa, os violinos, a sanfona, a flauta doce depois a transversal, o violão baixinho acompanha e trilha o caminho por onde seguem em fantástica harmonia a trilha sonora da cena.
É como um filme europeu, com um cuidado especial com a arte do olhar, sentir, viver.
As cores são pastéis, intensas, harmônicas e preenchem o espaço, embebedando de vida as figuras enlaçadas.
O furor do riso descontrolado, histérico, proibido que abafa a libertinagem interrompida pela infantil visão do momento.
Num instante tudo desaba, desmorona em risos loucos.
E no acalanto da embriaguês dormem unidos pelas liberdade, separados pela so
lidão do medo.

terça-feira, 9 de março de 2010

Sabe o que quero?

Foto: Henri Cartier Bresson

Quero fechar os olhos e não te ver,
não encontrar impregnado no meu corpo os acordes do teu perfume
o teu toque, calor...
Desenhar passo a passo cada movimento teu
para reviver cada detalhe, registrar o invisível que ainda é meu
o que foi pactuado inconsciente na primeira troca de olhar
quero esquecer das marcas que a vida nos causou
da tentativa de proteger sua fragilidade, escondendo a minha
quero de volta minha precária poesia, meus dias sereletes ao teu lado
ficou tanto não dito
tanto no espaço
no tempo
agora muito mais no esquecimento
o sono é leve ou muito pesado, fica esse vazio ao meu lado
desaprendi a sentir
meu sentidos enxarcados
entopem cada poro com as lágrimas
que meu orgulho impede que vase

Tudo desconexo, solto, perdido
Quero pelo menos por um momento esquecer
não lembrar
abandonar
abrir mão
sumir

Sabe o que quero?
Quero olhar no espelho e não ver um rosto degradado pela tua ausência.

domingo, 7 de março de 2010

Saudade


Foto: Magritte

De quem é esta saudade
que meus silêncios invade,
que de tão longe me vem?

De quem é esta saudade,
de quem?

Aquelas mãos só carícias,
Aqueles olhos de apelo,
aqueles lábios-desejo...

E estes dedos engelhados,
e este olhar de vã procura,
e esta boca sem um beijo...

De quem é esta saudade
que sinto quando me vejo?

Gilka Machado

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ela

Embriagada de poesia ela se prende novamente.
O emaranhado de retratos que passam por seus olhos a deixam zonza, mas resolve levantar.
Como é prazeroso ser só, completa consigo.
Pensamento sensato, considerando o local e parceiro que a ultima noite lhe trouxera.
Tem dias que sente como se houvessem arrancado tudo, e era só, um corpo inerte na vida.
Mas acorda e vê que é noite, a solidão fria a abraça e aconchega mais um novo movimento de vida.
Acende seu cigarro e sai.
Sua aparência exótica chama atenção, diziam que sua presença é como um beijo roubado.
No seu caminho perambulavam as figuras que descartara, seu péssimo hábito de viver do passado sustentava sua libibinosa vida evasiva.
Mais uma noite, mais um poema queimado pelo rancor das horas.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O que falta?



Falto eu ou você, o que é falta?

Ausência é falta ou um estar em si?

Sentir-se livre é bom, mas ruim.

Não sei por onde vaga minha racionalidade, é uma profusão de sentimentos e decisões, perplexa sigo sem querer.

São olhares risos e abraços, é tanta sedução e paixão.

Onde fica o amor quando a carne queima?

Aprender a ser, mesmo sem estar.

Onde estou, onde esse conflito me levará?

Momento catártico da vida, não quero um deus ex machina para me salvar, não sou a heroína da tragédia chamada vida.

A fruta tem seu ciclo para tornar-se madura, perfeita para o consumo.

O humano passa a vida amadurecendo e se consumindo, explorando o outro para arrancar de suas vísceras um pouco de dignidade.

Aprendi a dar valor ao outro e esqueci de valorizar o dentro, a conexão interna que liga a necessidade e o querer.

Esse movimento que rompe minhas certezas lançando-as no vácuo de ilusões e perspectivas profusas de presente, passado e futuro é dilacerante.

Não sei sinceramente sobre a falta, ausência ou medo, apenas aceito que existem fisicamente no meu corpo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

(Auto) Reflexão

Inveja do que não vivi.
Aflita com meus medos, tudo que me prende
Não quero o sufocar dos poemas passados,
são monótonos, em escala de cinza

A vida parece um retrocesso do que já anciei
Meus valores estão confusos, sinto -me embriagada de mim.
A liberdade de ser eu, despojada de tudo e todos; a solidão.
Sou individualista, nego a minha presença
Em sonhos corro nua no abismo dos quereres
Uma orgia de sentidos,
o momento catártico se aproxima?

Não quero a indentificação de outrem, sequer me identifico
Sou indigente, não inocente
Delimito caminhos, cativo pessoas, mas tenho medo.

No fundo resta apenas uma garotinha com seus olhos marejados
gritando agitada por silêncio absoluto.


Qual o limite da incomunicabilidade?

Almejei tanto o amor de outrem,
mas sequer me amo

Valorizar os conceitos pré estabelecidos de sentimentos...

Não sei o que é o melhor,
estou lidando com o presente como se somente o agora, e o agora existisse.


Não sou Farsesco.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Formar-se

Forma (latim forma)

Configuração das coisas;
Figura;
Feito;
Feição;
Alinhamento, formatura;
Modelo;
Modo, maneira;
Formato;
Formalidade.

Criar forma deformando, desconstruir para construir.
Ciclo,
renovação de atitudes, conceitos, ideais, forma.
Vivemos construindo e desconstruindo,
agregando repertório,
vivência.
(será?)
Buscamos sentido para a nossa existência,
existir,
buscamos uma forma.
Uma forma de desformar,
formando uma forma,
esta desconstruida,
para gerar outra,
e outra,
e outra.
Qual é a forma que se forma no formar-se deformando?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Maldito seja!

Tenho medo do incerto, do simples e sutil;
Os olhos ternos com que me olhas e seu sorriso infantil.
Sinto que comi um pedaço do cogumelo da Alice
talvez isso explicasse minha frágil pequenes.
A euforia causada por momentos singelos me deixam tonta;
Minha escrita esta um lixo,
mesmo assim fica melhor que a sua, que não tem ritmo.
Será que penso?
Não penso.
...

sábado, 4 de abril de 2009

Desalento e despedida




Dê-me sua mão, vamos caminhar...
Não sei o rumo, apenas sentir os pés doer enquanto contemplo teu riso.
Não tem problema, poderá descançar depois, agora é a nossa hora.
Tenho um turbilhão de emoções que preciso compartilhar...

Não quero que se prenda ao meu jeito rude de ser, mas
Você tem tantas defesar que me sinto numa batalha sem fim...
Não tenho bola de cristal,
seria deveras útil para desvendas tantos segredos que insiste em guardar.

Estou sendo direta, é uma forma de burlar minha timidez.
O sol abre novos caminhos, por mais que eu prefira a penumbra,
não posso ceder.

Tanta poesia omitida, palavras não ditas, o silêncio comeu minha rima.
Pareço mais cética que o normal, talvez eu realmente esteja.
Não posso negar que a injeção de poesia bambeou minhas estruturas.
Infelizmente o ato foi atrasado,
definimos (defini) para onde iria tender nosso caminho.

Não seria sincera conosco se permanecesse como estava.
Acho que não sou uma pessoa sociável, e não consigo viver de meias verdades, meios sentimentos.


Desculpa por esse vômito, era para ser mais sutil,
mas não sou tão delicada quanto gostaria.

Se quiser pode descançar agora,
eu preciso ir, essa caminhada foi deveras intensa.

Não diga nada,
me acostumei com o silêncio e acho que devo levá-lo como resquícios desse momento.

Eu sei que é injustiça, egoismo mas prefiro assim.
Se precisar, sabe como me encontrar, não confunda o caminho me preocurando em outros sorrisos, não sou tão pretenciosa para ocupar tantos espaços.
...